Durante anos vi este tipo de espectáculos, excelentes, baratos e descentralizados no estrangeiro. Não sou estrangeirada nem cosmopolita. Como vivia em Vila do Conde e, logo que pude, fiz Inter-rail, ia ver tudo o que podia. E só via este tipo de coisas no estrangeiro. Desculpem lá, mas foi assim que as coisas se passaram. Lamento. Talvez se tivesse vivido em Lisboa as coisas fossem diferentes. Em Vila do Conde lia-se e ouvia-se música. Agora faz-se muito mais do que isso: em muitas coisas o país mudou para melhor. Agora não é tão importante para mim ter pago apenas cinco euros para ver aquele espectáculo maravilhoso. Mas o meu "eu" de vinte anos teris gostado muito de ter visto coisas assim sem ter de passar por Irún...
Eu, que danço mal, mesmo muito mal, lembro-me de uma vez ter dançado assim ao som "La valse à mille temps" que tínhamos acabado de comprar em Paris. E de outra, e de outra, e de outra. Danças selváticas, que exprimem o puro prazer de existir, às vezes com alguém, outras vezes não. Danças pela cozinha fora, rumo ao corredor, que acabam connosco encostados à parede a arquejar. Danças solitárias, danças ocultas. Celebrações da existência.
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Durante anos vi este tipo de espectáculos, excelentes, baratos e descentralizados no estrangeiro. Não sou estrangeirada nem cosmopolita. Como vivia em Vila do Conde e, logo que pude, fiz Inter-rail, ia ver tudo o que podia. E só via este tipo de coisas no estrangeiro. Desculpem lá, mas foi assim que as coisas se passaram. Lamento. Talvez se tivesse vivido em Lisboa as coisas fossem diferentes. Em Vila do Conde lia-se e ouvia-se música. Agora faz-se muito mais do que isso: em muitas coisas o país mudou para melhor. Agora não é tão importante para mim ter pago apenas cinco euros para ver aquele espectáculo maravilhoso. Mas o meu "eu" de vinte anos teris gostado muito de ter visto coisas assim sem ter de passar por Irún...
Eu, que danço mal, mesmo muito mal, lembro-me de uma vez ter dançado assim ao som "La valse à mille temps" que tínhamos acabado de comprar em Paris. E de outra, e de outra, e de outra. Danças selváticas, que exprimem o puro prazer de existir, às vezes com alguém, outras vezes não. Danças pela cozinha fora, rumo ao corredor, que acabam connosco encostados à parede a arquejar. Danças solitárias, danças ocultas. Celebrações da existência.
Dancing Daisy
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